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A sustentabilidade venceu mais uma !!!

No último dia seis de setembro ocorreu uma audiência pública, na Câmara Municipal de Bauru, que tinha como assunto principal o afrouxamento da Lei do Cerrado e o impacto que ela traz ao desenvolvimento econômico do município. Estavam compondo a mesa: políticos, representantes do poder público, industriários e ambientalistas. Cerca de 150 pessoas assistiram à sessão, que teve como mediador o vereador Fernando Mantovani.

Uma hora antes da sessão, houve uma manifestação em frente à Câmara Municipal, quando integrantes do Grupo Acorda Bauru fizeram um ato simbólico de distribuição de picolés de frutas e mudas do cerrado, fazendo com que despertasse o interesse da população e dos próprios políticos que ali se encontravam.

Entre os presentes destacaram-se os representantes das ONGs Vidágua, S.O.S Cerrado e Batra, além do CIESP, Cetsp, Grupo AGR e Grupo Acorda Bauru. Uma das questões apontadas foi a discussão das empresas que relutam por espaços dentro da cidade para fazerem suas instalações e ampliações.

Atualmente, é necessário um estudo para saber onde essas empresas podem instalar-se, visto que é indispensável saber a situação do solo para tal instalação. Caso seja apurado que a instalação prejudicaria esses pontos, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) não autoriza a construção.

O grande motivo da discussão foi que haveria vereadores querendo afrouxar a lei nº 13.550 de 2009, referente ao Cerrado, para instalação de condomínios de luxo e de empresas. Os vereadores que encabeçaram esse processo foram Renato Celso Bonono Purini (PMDB) e Marcelo Borges de Paula (PSDB), que na ocasião não compareceram à audiência pública - sem motivos apresentados como justificatica.

Como em toda audiência pública, o debate ocorreu de forma passiva com todos os expositores, fazendo com que houvesse um bom entendimento do assunto exposto. Somente o presidente do CIESP Domingues Malandrini que defendia a implantação de empresas na cidade, ao fim saiu a favor da causa, fazendo um pedido informal ao Prefeito Rodrigo Agostinho de implantação de um quarto Distrito Industrial nas áreas onde as 11 empresas que relutam por espaços possam ser instaladas.

Ao final, pelas palavras do próprio vereador e mediador Fernando Mantovani, ficou o esclarecimento de que não haverá nenhuma mudança na lei e que o prefeito Rodrigo Agostinho irá procurar áreas que essas empresas podem se instalar sem alterar nenhum bioma da região.


Confiram as fotos!





Vinicius Ferreira

Cerrado em situação crítica

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e conhecido como as “savanas brasileiras”. Ele constitui um dos seis grandes biomas brasileiros. Originalmente a área do Cerrado era de 2 milhões de km², abrangendo dez estados do Brasil Central e estima-se que 10 mil espécies de vegetais, 837 de aves e 161 de mamíferos vivam nessa área. A característica principal do solo desta área é o solo de savana tropical, deficiente em nutrientes e rico em ferro e alumínio. A maioria das plantas tem aparência seca, entre arbustos esparsos e gramíneas, e o cerradão, um tipo mais denso de vegetação, de formação de floresta. Infelizmente, hoje em dia restam somente 20% da área inicial.

Alguns anos atrás a mineração favoreceu o desgaste e a erosão dos solos. Nos últimos 30 anos, a pecuária extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do cerrado. Outro fato que se destaca é a agricultura mecanizada de soja, milho e algodão, que começa a se expandir principalmente a partir da década de 80. Hoje, menos de 2% está protegido em parques ou reservas.

Entretanto, o desmatado Cerrado brasileiro possui uma lei de proteção própria (Lei N° 13.550, de 2 julho de julho de 2099). “A lei dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Cerrado...”. Como podemos perceber essa lei é tardia e conseguiu salvar apenas uma pequena parte de um importante bioma brasileiro porém a “lei do cerrado” ainda possui mais alguns obstáculos pela frente. Um bom exemplo de obstáculo a ser vencido é o local onde o próprio Grupo AGR atua, a cidade de Bauru.

O principal inimigo da “lei do cerrado” em Bauru é o desenvolvimento econômico da cidade. O diretor do Ciesp em Bauru, Domingos Malandrino, defende a revisão da lei para que indústrias possam expandir ainda mais seus setores e também para atrair novos empreendimentos para a cidade. A proposta de revisão da lei ainda é apoiada por alguns vereadores da cidade. Ou seja, o maior grupo industrial da cidade e mais alguns vereadores estão agrupados para mudar uma lei municipal (tendencioso, não?).

Esse caso tem acontecido exatamente nessas últimas semanas e por pressão da opinião pública e de algumas ONGs - como SOS Cerrado, Vidágua e BATRA - acontecerá na próxima terça-feira (06/09/2011), às 18h, uma audiência pública na Câmara Municipal de Bauru (Praça Dom Pedro II, 1-50 – Centro). Antes da audiência, às 17h, o grupo que representa o movimento "Acorda Bauru - Proteja o Cerrado!" se reunirá em frente à Câmara para discutir idéias antes de debater com os representantes do governo. Essa será a oportunidade da população em geral, dos ambientalistas e de qualquer cidadão interessado na preservação do meio ambiente discutir e ouvir as opiniões dos que são a favor ou contra o afrouxamento da lei do cerrado.

É importante compreender que essa audiência pública é uma oportunidade dos cidadãos da cidade exercerem seus direitos e não deixarem que a iniciativa privada influencie o poder legislativo mais uma vez contra o meio ambiente brasileiro.

O Grupo AGR espera que a mobilização social e a justiça possa ajudar o cerrado a não desaparecer! Participe deste debate!

Link do protesto no facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=238439786199445


Renan França

Diretoria de Comunicação